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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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19:18on sábado, 14 de fevereiro de 2015
Quem me conhece sabe que respeito todas as escolas de Samba, na verdade sempre gostei muito dos desfiles e toda a questão cultural envolvida. Como professor posso afirmar que os enredos normalmente tem uma caráter pedagógico muito bom e que ás vezes os alunos aprendem mais em um desfile desses do que nas aulas (que eventualmente não prestam atenção).
Porém, nem só de bons exemplos vive o mundo do samba e o desfile da Beija-Flor de Nilópolis que ainda nem ocorreu já é um grande fiasco e uma grande vergonha. Como assim? Vamos lá...
A Beija-Flor é uma escola com um passado complicado, seus enredos já homenagearam ALGUMAS vezes a ditadura militar no passado e mais recentemente tem apelado para enredos repletos de puxa-saquismo para buscando se beneficiar de alguma forma. Ex.: O enredo sobre o Roberto Carlos poderia ser citado, mas creio que o enredo sobre o Boni foi bem problemático e isso se refletiu na péssima e inusitada colocação da escola em 2014.
Claro, nem todos os enredos precisam ser politizados... Mas se forem, que sirvam para apoiar o oprimido e não o opressor e isso a Beija-Flor já fez no passado com seu enredo de 2003 que é um dos meus favoritos de todas as escolas de Samba:
Mas, creio que neste ano a Beija-Flor conseguiu se superar, ou não, ao vender seu enredo para um sanguinário ditador... Sim, infelizmente a Beija-Flor se prestou a esse papelão de ser garota propaganda de uma ditadura cruel. Para quem não soube do caso:
Se já é demasiado vergonhoso para um país manter relações com ditaduras deste tipo, quem dirá para um escola de samba? ahhh mas eles não vão falar de política... Bem, elogiar um país que vive uma ditadura sanguinária sem atacar a política dele e ainda levando dinheiro desse ditador é querer enriquecer com o sangue alheio... Será que qualquer campeonato vale a tortura de tantas pessoas?
Sinceramente, torço para que a Beija-Flor tenha um resultado pior que em 2014 e possa voltar ao Espírito de 2003!
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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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19:36on segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Creio que consegui falar um pouco desse tema no último post, ao explicar o que permite ao socialismo democrático ser por vezes até mais revolucionário que seus irmãos apregoadores da luta armada, no entanto desejo realmente falar um pouco mais sobre isso.
Obs.: Sugiro que ouçam a palestra do post anterior.
Uma sociedade fundada na competição entre seus membros será sempre autodestrutiva! Se em uma família houver competição entre seus membros, os membros mais fortes (os pais) ao invés de ampararem os membros mais fracos (bebês por exemplo) começarem a querer competir com os mais fraco, podem acreditar que em breve essa família estará reduzindo de tamanho. Não tardará a se transformar em ruínas a Igreja onde o clérigo quiser disputar quem vai ser mais espiritual com os fiéis, ao invés de auxiliar os mesmos em sua jornada (e deve ser por isso que Deus ao chamar São Francisco de Assis, em uma época de degeneração moral na Igreja, fala justamente: "Vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas"). Nem mesmo as empresas podem ter seus sócios competindo entre si por muito tempo.
A base da nossa atual é a barbárie, o apoio mútuo é solenemente ignorado e colocado em seu lugar o egocentrismo. Se ainda resta dúvidas sobre a tendência suicida de nossa sociedade, vale ler o que Thomas Malthus (um dos autores básicos para a economia, demografia e outras ciências que nos regem até hoje) em seu "Ensaio sobre o princípio da população" (conforme citação de Proudhon em seu Filosofia da Miséria): "... Um homem que nasce em um mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo, ou se a sociedade não tem precisão de seu trabalho, este homem eu digo, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: ele está em demasia sobre a terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza ordena-lhe que se vá e não tardará ela mesma a colocar tal ordem em execução..."
Não é de se estranhar que, apesar de reconhecermos avanços em muitas áreas, vemos um aparente retrocesso em outras. Ex.: Nos sentimos como a geração com menos tempo disponível da história, mesmo que nunca na história a tecnologia tenha nos feito economizar tempo em inúmeras tarefas. Nos desumanizamos, passamos tão apressados pela rua que nem percebemos uma pessoa caída na rua necessitando de auxílio (e eu digo que eu passei por essa chocante experiência de ver que na pressa entre compromissos, eu havia passado por uma mulher que estava no chão gritando por socorro e eu passando a menos de 2 metros da mesma não a vi e nem ouvi. Foi uma experiência terrível e admito que me senti acabado por isso.). "Como o confessava outrora diante do parlamento inglês um ilustre ministro e como nós em breve demonstraremos, na sociedade atual o progresso da miséria é paralelo e adequado ao progresso da riqueza, fato que anula completamente o mérito da economia política." (Proudhon em "Filosofia da Miséria")
Nós socialistas erramos em focar tanto a tomada de poder e esquecer a tomada dos corações e mentes (sem ser com o objetivo de ganhar apoio, mas para libertar as pessoas e permitir que elas voltem para a humanidade plena), erramos em esquecer a velha lição jacobina sobre a "República das Virtudes", erramos por não percebermos algo que é falado desde tempos remotos. Ex.: Essa nossa desumanização e o nosso opressor interno estão plenamente explicadas no simbolismo de Adão e Eva sobre a corrupção humana e o já nascermos pecadores e necessitarmos da santificação (romper com o paradigma falido e usado até hoje).
Tomar o poder sem revolucionar o próprio ser humano, será perda de tempo e cedo ou tarde veremos o retrocesso (como a história tem mostrado nas experiências revolucionárias). Não estou sendo idealista, mas o materialismo puro (que ignora o poder das idéias) é insustentável.
Uma música que acredito ter muito a ver com esse tema é a música "Where is the love?" do grupo Black Eyed Peas:
É por isso que afirmo, se não trabalharmos para transformar os corações de pedra em corações de carne, se não retirarmos a competição da base de nossa sociedade e substituirmos a mesma pelo apoio mútuo... Bom, nesse caso não haverá revolução, teoria política/econômica que se sustente. Entendem o que faz o descaso com a educação integral do cidadão não ser mera coincidência? Entendem o que faz com que sejamos empurrados cada dia mais para situações que facilitam nossa desumanização?
Obs. 1: Não acho que toda a competição é necessariamente ruim, os esportes nos mostram muito bem isso, mas é sempre ruim quando a competição é a base da sociedade.
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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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13:37on domingo, 3 de novembro de 2013
Durante muito tempo 3 principais grupos dominaram a esquerda:
Os anarquistas
Os marxistas
Os social-democratas / Socialismo Democrático
O anarquismo, que dominou o movimento operário por um bom tempo, ficou enfraquecido com as (até então) vitoriosas revoluções marxistas e o posterior avanço dos social-democratas no poder. Mas com o fim do socialismo marxista em alguns países (seja o fim total ou parcial através de reformas econômicas fortes) e a traição/degeneração de alguns outros partidos socialistas/social-democratas em governos de esquerda ao redor do mundo (exemplo: O PSDB no Brasil que como o nome diz tem origem social-democrata, o próprio PT com sua política repleta de fisiologismo e branda com a corrupção), a esquerda começou a ter uma crise de identidade e de soluções.
A solução seria ir para a direita? Seria criar uma nova esquerda? Engolir os erros da esquerda tradicional como um mal necessário? No meu entender a resposta será NÃO. Não acho que seja necessária uma NOVA esquerda, mas sim uma NOVA POLÍTICA e que algumas corrente de esquerda do passado podem nos ajudar muito com isso:
O socialismo pré-marxista
(vulgarmente conhecido como utópico ou romântico)
Não gosto de chamar esta corrente de socialista utópica por 2 motivos:
1) Este termo utópico foi uma tentativa marxista de subestimar o pensamento socialista desses autores e afirmar que o marxismo seria o socialismo "científico".
2) Este termo da a entender que havia uma coesão de pensamentos, algo como um socialismo utópico organizado. Na realidade o socialismo pré-marxista nada mais é do que os diversos pensadores e suas ideais que queriam fazer algo para mudar aquela sociedade capitalista industrial e melhorar a qualidade de vida de todos.
O socialismo pré-marxista embora muito injustiçado e esquecido legou grandes lições para a esquerda (especialmente ao anarquismo já que Proudhon pode ser considerado ao mesmo tempo um anarquista e um socialista pré-marxista e no meu entender o socialismo democrático retoma muito do espírito pré-marxista), até a filosofia do "Faça você mesmo" presente no movimento punk tem fortes ligações com características desta corrente socialista. Alguns pontos podem ser encontrados em comum nos diversos autores:
Socialismo pelas bases no cotidiano: Em geral eles entendiam que o socialismo seria alcançado através de atitudes diárias e nem sempre por uma regulamentação do Estado (social-democracia) ou uma revolução social (anarquistas e marxistas). Todos nós podemos começar a agir de forma socialista, criar espaços/comunidades/organizações que vivam de uma forma socialista e começar a levar o socialismo para as relações pessoais. Exemplo: Se eu sou dono de uma padaria e sou socialista devo melhorar ao máximo as condições de vida dos meus trabalhadores e garantir a melhor qualidade e preço para meu cliente.
Apoio Mútuo: A solidariedade operária é vital. Os mais fortes/inteligentes/capacitados (ou até ricos) na sociedade devem se dedicar ao máximo para elevar a condição dos que não tiveram os mesmos dons ou oportunidades. As dores de qualquer pessoa devem ser tomadas também como minhas. Uma vida de SERVIÇO ao próximo é necessária.
Socialismo e Liberdade não podem ser separados um do outro.
Os Jacobinos
O partido jacobino era a esquerda da revolução francesa e podemos dizer que a inspiração original para o socialismo. Difamado pela direita e desprezado pela esquerda atual, os Jacobinos nos trazem muitas lições com seu lema de "Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou a morte":
A República tem como base as virtudes! Um povo sem virtudes sempre correrá para a tirania. Uma vida correta e justa é imprescindível para um bom republicano.
Fidelidade aos ideais e moralidade no trato com a coisa pública. Robespierre foi chamado de "O Incorruptível" não foi atoa, mesmo sendo governante da França com plenos poderes viveu uma vida modesta e caminhando no meio do povo. A firmeza de Robespierre aos ideais de uma sociedade democrática, fraterna e igualitária o fez entrar em conflitos com o corrupto Danton (membro de seu próprio partido), essa mesma firmeza o conduziu até a morte.
Abolição da escravatura e direitos civis para os Negros: Foi também no governo jacobino que pela primeira vez os negros de uma colônia (Haiti) ganharam direitos civis.(Napoleão é quem vai tentar voltar ao antigo regime no Haiti, não é atoa que Robespierre ainda é uma figura heroica para o povo haitiano). O governo jacobino também libertou os escravos e fez com que os outros países do mundo (inclusive o liberal e republicano Estados Unidos da América) ficassem ainda mais chocados com as medidas populares jacobinistas.
Direitos Humanos. Os Direitos Humanos que conhecemos hoje tem forte influência da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Apesar do chamado regime do "terror", Robespierre era contra a pena de morte e abominava as torturas, de fato a pena de morte foi defendida por alguns aliados dele e até inimigos e ele vai aceitar ela a contragosto apenas em função da terrível situação que a França enfrentava ao ser atacada por tudo e todos. Obs.: Não estou defendendo o "terror" ou negando os excessos, mas convenhamos que a situação é bem mais complexa para um país solitário que acaba de passar por uma reviravolta total e é atacado por tudo e todos com risco de se tornar vassalo de outro país.
Igualitarismo. Uma das atitudes tomadas pelos jacobinos foi abolir as diferenciações entre pessoas. Não existiam mais marquês disto ou daquilo, todos agora eram cidadãos em plena igualdade de direitos e deveres.
Internacionalismo. Os problemas dos outros povos preocupavam os revolucionários franceses que entendiam que é necessário ajudar os demais povos em sua libertação.
Toussaint Louverture, líder da independência do Haiti liderou os jacobinos negros.
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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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19:25on quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Vivemos em um momento de fortes questionamentos contra as instituições (políticas, religiosas, ...) e vou dizer que boa parte deste questionamento está ligado a crença das pessoas de que as instituições são organizações imortais e incorruptíveis. Os membros das instituições se acham membros da elite mais perfeita dos mais santos dos eleitos e acabam não aceitando críticas e quando vem a realidade a tendência natural é largar tudo e se desiludir do mundo.
As pessoas não entendem que as pessoas e as instituições tem seu tempo de vida e embora sejam importantes em dado momento histórico se tornam completamente irrelevantes em outro, e aí entra a crise de largar o barco que tanto lutamos para construir e começar outro novo ou até praticamente transformar o nosso totalmente.
Robespierre, o Incorruptível
Não estou dizendo que as pessoas/instituições não devam permanecer firmes em seus ideais, mas é inevitável que haja contradição em algum momento ou que aquela instituição não atenda mais aos seus propósitos originais. Um bom exemplo disso é o PMDB, que foi importante na época do regime militar por ser a única forma de oposição, mas que hoje não passa de um amontoado de pessoas sem nenhuma ideologia ou projeto em comum e que estão juntas apenas no poder pelo poder (até reproduzindo práticas da ditadura).
Contradições? Elas são inevitáveis até por serem subjetivas... Quase sempre quem é acusado de contradição tem uma justificativa pessoal para tal e não se sente como contraditório. Exemplo: Para muitas pessoas ser vegetariano e abolicionista animal e ao mesmo tempo ser pró-aborto é contraditório pois fere o princípio de sacralidade da vida. "A igreja é santa e pecadora" já dizia uma frase bem popular e que nos relembra, que por mais perfeitos que sejam nosso ideais, a humanidade que compõe as instituições sempre pode falhar.
Mas então devemos continuar no barco que afunda? Se vermos que há uma alternativa melhor e/ou o barco dificilmente não afundará, aí acho que vale a pena largar o barco senão é melhor continuar e tentar mudar por dentro. As instituições tem prazo de validade e em algum momento vão morrer ou vão ao menos se degenerar totalmente, no entanto várias situações podem fazer uma instituição retomar os rumos originais como é o caso do PSB-RJ já que, com a saída do grupo que estava degenerado e chegada dos membros da REDE, houve uma verdadeira revolução interna com um realinhamento do partido.
Aliás só tenho visto 3 partidos terem em mente a ideia de que eles são imperfeitos, podem ter contradições, mas ainda sim são importantes e/ou necessários: PSB, PSOL e REDE.
Devemos abrir mão de nossas ilusões e entender que as instituições sempre devem ser criticadas e principalmente se criticar para que possamos estar sempre nos aperfeiçoando. Já dizia uma célebre frase da Reforma Protestante: "Ecclesia reformata et semper reformanda est" (a igreja reformada está sempre se reformando) e assim devem ser as instituições, especialmente as de cunho "progressista", sempre fugir da degeneração e se atualizar diante da realidade.
Vale lembrar que ainda assim devemos nos manter firmes em nossos ideais, tal como um Robespierre, mas sabendo que podemos cair e que se cair devemos levantar e reparar nossos erros para que sigamos em frente fiéis aos nossos propósitos originais. Não tenhamos medo também de inovar, nem tudo que serviu antes servirá hoje e nem tudo que serve hoje servirá amanhã, mas sempre devemos nos preocupar com a essência.
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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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09:30on quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Segue vídeos com alguns trechos da palestra que ministrei no dia 19/10/2013 em Petrópolis/RJ na sede da Loja Maçônica Jacques DeMolay nº 50 (GOIRJ) e foi organizada pelo Capítulo Rei Ricardo Coração de Leão nº 669.
Embora tivesse voltada para o tema educação ela abordou diversas outras questões que estão diretamente vinculadas: política, repressão, manifestações, ...
Agradeço especialmente ao capítulo Rei Ricardo Coração de Leão nº 669 pela organização desta palestra.
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Morôni Azevedo de Vasconcellos
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22:16on sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Obs.: Assumo que quando montei o blog esperava ter que atualizar ele quase semanalmente. Felizmente tantas coisas tem acontecido, para renovar tanto nossa esperança quanto nossa indignação, que a frequência de atualizações está tendo que ser maior do que o planejado.
A resistência à opressão é a consequência dos outros direitos do homem.
XXXIV
Há opressão contra o corpo social, mesmo quando um só dos seus membros é oprimido. Há opressão contra cada membro, quando o corpo social é oprimido.
XXXV
Quando o governo viola os direitos do Povo, a revolta é para o Povo e para cada agrupamento do Povo o mais sagrado dos direitos e o mais indispensáveis dos deveres."
Por sua vez a Declaração de Direitos da Virgínia (1776) que serve como uma das bases para os altos ideais democráticos da Revolução Americana e junto com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é uma das bases do que conhecemos hoje como Direitos Humanos: Artigo 3o O governo é ou deve ser instituído para o bem comum, para a proteção e segurança do povo, da nação ou da comunidade. Dos métodos ou formas, o melhor será que se possa garantir, no mais alto grau, a felicidade e a segurança e o que mais realmente resguarde contra o perigo de má administração. Todas as vezes que um governo seja incapaz de preencher essa finalidade, ou lhe seja contrário, a maioria da comunidade tem o direito indubitável, inalienável e imprescritível de reformar, mudar ou abolir da maneira que julgar mais própria a proporcionar o benefício público.
Temos visto uma perseguição implacável que tem criminalizado os movimentos sociais e cito como exemplo a barbárie que tem sido feita contra os professores e seus apoiadores no Rio de Janeiro e agora a perseguição implacável que querem fazer contra os ativistas que invadiram o Instituto Royal.
Antes de mais nada quero deixar claro que é um absurdo tentar criminalizar tais movimentos pois não falta respaldo legal para suas atitudes (e que não perderei tempo replicando aqui pois a internet já está bastante cheia de tais informações). A questão central é que mesmo que por um acaso os ativistas em ambos os casos estivessem ferindo a lei seria moralmente justificável em função da lei e do governo estarem defendendo a opressão brutal e pelo estado de emergência de tais situações que impede a espera pelas reformas estatais que são sempre demoradas. Ninguém condena os heróis da resistência alemã contra o nazismo por terem ferido VÁRIAS leis já que a situação assim exigia. Se a lei é injusta e provoca uma opressão brutal em nível emergencial, então a referida lei é inválida pois fere os princípios democráticos que apresentei em duas declarações que servem como base para nossas concepções atuais sobre o que é uma democracia. (E aprendi com um grande homem chamado Frank Sherman Land que "o mais importante é o princípio".)
Não se trata de defender o crime ou ferir a lei, na realidade é a preocupação de salvar o espírito democrático que rege as leis. "A letra mata, mas o Espírito vivifica" já dizia o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 3:6, aliás se é inegável que o cristianismo deu uma forte contribuição para a nossa sociedade em todos os aspectos então não é de se estranhar que aproveitemos o exemplo de Jesus que por vezes flexibilizava o rigor do legalismo mais estrito em favor de salvar justamente o Espírito das leis religiosas ("Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo." Mateus 5:17). Quem já praticou artes marciais não tem dificuldade em entender isso por saber que você treina todas aquelas posturas/posições/golpes/formas que nunca usará em um combate. Você aprende a forma para poder transcender a forma. O que mais importa é a essência!
Vale lembrar que a atitude dos heroicos ativistas foi causada pela morosidade das investigações do MP (o que é vergonhoso o MP ter sido menos eficiente do que alguns amadores). Robespierre nos fala que a República se baseia nas virtudes e deixar o sofrimento injusto se prolongar não é uma atitude virtuosa e consequentemente não pode ser uma atitude republicana. Que a polícia, MP e judiciário possam ter o mínimo de bom senso e ao invés de se preocuparem em criminalizar os ativistas, que agiram na garantia emergencial de um direito, criminalize sim o Instituto Royal que estava errado desde o inicio.
A causa da libertação humana e da libertação animal são completamente inseparáveis e nós ativistas de ambas as causas devemos estar mais unidos do que nunca e acredito que estes episódios recentes servirão para unir mais os militantes de ambas as causas. O poder popular só será construído com a união de TODOS! Será com o poder popular que construiremos uma sociedade que valorize a VIDA ao invés dos interesses egoísticos de alguns poderosos. Vale relembrar a República só pode existir com base nas VIRTUDES!
Finalizo mostrando dois exemplos de como a mídia pode trabalhar.