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Profetas não são desejados, são necessários.

on sábado, 9 de maio de 2020
O nosso mundo tem um costume curioso, somos apaixonados pelo discurso de mudança mas, é a coisa que mais detestamos. Entre o povo de Deus não é diferente e isso é facilmente analisado quando lemos as escrituras. Seja na Bíblia ou na história da igreja, aliás é por isso que o lema Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est ao falar da necessidade da igreja reformada estar sempre se reformando não consegue sair da teoria para a prática (na maioria das vezes).

Jacob Boehme: um profeta incompreendido em sua época.
Apesar de sempre clamar por libertação, se Deus enviava a libertação logo a queixa era por não ter ficado tudo como antes. Foi assim com o povo que chorava por viver como escravo no Egito e quando Deus guia Moisés para os libertar logo começam a sentir saudades das panelas de carne do Egito.

Claro que muitas vezes o saudosismo e o apego ao que não serve mais vem disfarçado de várias formas: Moisés tentou arranjar desculpas para não falar, Jonas tentou arranjar desculpas para fugir, os judeus logo arranjaram a desculpa de Jesus esta endemoninhado, … Veja que algumas desculpas podem ter um fundamento real, sem serem mais do que desculpas como no caso de Moisés que de fato tinha um problema com a fala, outras são apenas mentiras como a dos judeus contra Jesus.

Existe uma charge famosa na qual um orador pergunta para uma platéia quem quer um mundo melhor e todos levantam as mãos, mas ao perguntar quem quer ser melhor para o mundo ninguém levanta a mão. A realidade é que mudar exige sempre uma mudança em nós mesmos, um processo de conversão e no fim das contas raramente estamos interessados nisso.


Os profetas, ou seja aqueles que aceitaram o chamado cristão para a profecia (e como o mover do Espírito não é algo limitado a uma casta ou grupo em específico), nos lembram disso e por isso são perseguidos e mortos como podemos ver nos textos de hoje.

A simples rejeição da profecia é sempre feita com discursos simplistas, o famoso argumentum ad hominem (quando se ataca ao defeitos e limites do argumentador ao invés de se questionar o argumento dele) é uma das formas mais comuns. E pasme, não faz sequer sentido para nós que somos cristãos e acreditamos no poder de Deus de usar quem ele quer, por pior que seja. Não, não...

“Não perseguimos o profeta, mas vamos rejeitar a profecia dizendo qualquer coisa que alivie nossas próprias consciências: não possui a mesma cultura, estudo, vivência, experiência, dom do que nós. Nem mesmo nos daremos conta do absurdo que é clamarmos por mudança se rejeitamos qualquer um que não esteja nos mesmos critérios e padrões que consideramos ideais”. Uma curiosa e bem discreta maneira de rejeitarmos a mudança é querermos que ela seja apenas uma mudança para como sempre foi feito e por quem sempre fez. “Talvez quando se tornar um de nós ou o que queremos possamos ouvir o que ele diz, afinal será só um eco de nossa voz e a única mudança real será no orador”.


Isso explica em partes o pensamento reacionário que infestou nosso mundo com a promessa de mudança contra mudanças, a única mudança prometida é a de voltar a fazer como sempre foi feito e com essa mudança na realidade estamos tentando impedir qualquer mudança.

Nossa sociedade é um cachorro correndo atrás do próprio rabo, ou talvez o famoso símbolo do ouroboros com a serpente que se engole, por isso a história humana se repete em ciclos (com as devidas mudanças no calendário, na tecnologia e etc). A profecia é necessária, mas nunca é desejada ou bem recebida e principalmente ela é inesperada: pode vir da boca da criança, do jumento, das pedras que clamam, pode vir de alguém detestável que Deus usou naquele momento, quase nunca vem de onde esperamos.


Ninguém esperava que o messias, da linhagem do Rei Davi, reinaria na cruz e não na liderança da revolta. Quem tiver ouvidos, ouça! Quem tiver olhos, leia! Graças a Deus que apesar da nossa resistência, Ele sempre levanta profetas indesejados e necessários. Pela sua misericórdia o seu povo aprende a necessidade de mudar e o quanto as escolhas ruins o afetam negativamente, aprende no amor (ao ouvir o que o Espírtio quer dizer para a Igreja) ou na dor (sofrendo pelos próprios erros), mas aprende. Cedo ou tarde, aprende.

Que o Espírito Santo amoleça nossos corações, abra nossos olhos e ouvidos para entendermos o que Deus pode estar falando para nós, especialmente por meio daqueles que menos achamos capacitados para tal. Em nome de Jesus. Amém.

Revdo. Morôni Azevedo de Vasconcellos (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil) | 09/05/2020 (Ano A)
Jeremias 26:20-24 | Salmo 31:1-5, 15-16 | João 8:48-59

A Teologia da Libertação tomará a Sapucaí em 2020!

on segunda-feira, 28 de outubro de 2019
2020 será um ano de carnavais bem politizados no Rio de Janeiro, tendência que já vinha crescendo nos últimos anos. Vale lembrar que em 2019 tanto a Estação Primeira de Mangueira quanto a Unidos de Vila Isabel homenagearam a mártir da esquerda carioca: Marielle Franco. A Mangueira ainda fez uma revisão histórica, apontando os podres nos grandes heróis nacionais e buscando novos heróis para o nosso povo.

Anteriormente, a Paraíso do Tuiuti saiu do quase anonimato ao retratar o presidente Michel Temer como Vampiro, se tornando uma das queridinhas dos cariocas.

Mas, o samba da Magueira para 2020 me chama a atenção não apenas pela politização, mas também por sua letra profundamente enraizada naquilo que chamamos de Teologia da Libertação ou mesmo Teologia da Missão Integral... A Mangueira já tinha feito um pouco disso em 2003 no Enredo sobre Moisés:
"Quem plantar a paz, vai colher amor
Um grito forte de liberdade
Na estação primeira ecoou!

Um clarão no céu
Iluminou Mangueira
Surge um caminho de luz
Pra mergulhar na história

No Egito, um faraó
Poder e riqueza, cruel tirania
E um povo sonhava na lama
Que o "libertador" ali nasceria

Flutua nas águas do nilo
A esperança guiando o menino
Criado no luxo da corte
Enfrenta o deserto, sagrado destino

É o vento que sopra, poeira!
Segue o homem em busca da fé
Do alto uma voz anuncia
A certeza de um novo dia

Moisés desafia o rei
A ira divina desaba na terra
Libertação! E num gesto encantado
O mar virou passarela
Descrença, ilusão
No ouro, a falsa adoração

A vontade de Deus é a lei da verdade
Foi revelada pra humanidade
Mostra pro mundo, Brasil (meu Brasil)
O caminho da felicidade"

Se no passado Cristo impediu a prostituta de ser apedrejada pelos fundamentalistas fariseus, hoje ele impediria as pedras que os fundamentalistas arremessam na população LGBT. Foto: https://www.carnavalesco.com.br/dedo-na-ferida-mangueira-tera-fantasias-com-tematica-lgbt-e-maria-de-luto-estado-assassino/


Em 2020, porém, a Mangueira será o cristianismo libertador/progressista/inclusivo na passarela. Vou fazer alguns comentários sobre a letra:

"Mangueira
Samba que o samba é uma reza
Se alguém por acaso despreza
Teme a força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também"
Reconhecer o Espírito Santo agindo nas manifestações populares, sempre foi pauta do cristianismo progressista. Não raro, músicas populares são usadas em algumas igrejas. Me lembro de ouvir anglicanos cantando "Cálix Bento" ou "A Bandeira do Divino" como hinos litúrgicos. O refrão de "Anunciação" é clássico na quadra do Advento em muitas igrejas. Portanto, o Samba é uma reza sim e nele o clamor do povo sofrido sobe aos céus como a fumaça do incenso.

Vão inventar mil pecados, os fariseus fizeram isso nos tempos de Cristo e os neopuritanos não vão perder a oportunidade de fazer o mesmo. Mas, Cristo está ao nosso lado e ao lado do Samba. Jesus em seus tempos já tinha sido recriminado por andar nas festas com "pecadores e prostitutas", sendo chamado de comilão e beberrão, mas esse é o nosso Deus que tem sua Santa Ceia como uma roda de samba celeste.
Pois veio João Batista, que jejua e não bebe vinho, e vocês dizem: ‘Ele tem demônio’. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: ‘Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e "pecadores" ’ (Lucas 7:33-34)


"Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do Buraco Quente
Meu nome é Jesus da Gente"

Todos nós, lavados e remidos no sangue do Cordeiro Eterno (Cristo) somos parte do Corpo de Cristo. O negro, o índio e a mulher são parte de Cristo, são o Cristo em atuação nesse tempo. Cristo sempre se identificou com os mais vulneráveis, com os oprimidos, com os que sofrem e portanto as maiores vítimas de nossos dias naturalmente são representantes Dele.

"Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão"

Cristo sempre foi revolucionário, Cristo foi crucificado em sua época e seria hoje novamente. Onde já se viu perdoar ladrão na cruz e ainda ousar pedir perdão por quem te fere? Defender prostitutas? Defender os "leprosos" da sociedade e outros marginalizados? Cristo escolheu nascer na manjedoura dos oprimidos e não no palácio de Herodes. Cada demonstração de amor é uma revelação de Cristo ao mundo e sinal da presença do Espírito Santo.

"Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão"

Não adianta ouvir a Palavra, dizer que acredita em Deus e não colocar em prática os seus ensinamentos.
Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! (Tiago 2:17-19)

Se afastar da busca e por uma sociedade fraterna e igualitária é se afastar do próprio Deus:
"Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. "Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos? ’ "Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’.
"E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna". (Mateus 25:41-46)

Os pregadores da intolerância crucificariam e crucificam novamente o Cristo, aquele Cristo que reconheceu no centurião pagão uma fé que não tinha visto em Israel. Que mandou seus discípulos viverem na partilha. Mas, o Apocalipse anuncia que nossa esperança será vitoriosa e que a escuridão terá fim.

"Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão"

Só a solidariedade, a partilha e a busca da paz é que pode garantir o futuro do povo. Qualquer Messias que se apresente como semeador da violência (seja o trocadilho com o sobrenome do atual presidente ou seja o falso Cristo pregado pelos fundamentalistas) é um ídolo que não deve ser adorado. Devemos sempre voltar ao caminho do único Cristo.

"Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E num domingo verde-e-rosa
Ressurgi pro cordão da liberdade"
Cristo ouve nossos clamores, a cruz símbolo da morte se tornou símbolo da vida, as trevas se tornaram luz e depois de morto Cristo ressuscitou e guia seu povo para a ressurreição e liberdade final!

Em breve, surgirão os fundamentalistas atacando alegorias com referências religiosas, mas busquem entender a referência e verão que nada está ali para ofender as nossas crenças, antes está mostrando como seria nos dias de hoje aquilo que Nosso Senhor nos ensinou. Não se deixem iludir como os fundamentalistas fizeram ao criticar a trans crucificada, sendo que ela representava justamente a identificação de Cristo com os que sofrem.

Maria Negra não foi criação da Mangueira, a imagem de Aparecida já fazia esse denúncia contra o racismo.  Foto: https://www.carnavalesco.com.br/dedo-na-ferida-mangueira-tera-fantasias-com-tematica-lgbt-e-maria-de-luto-estado-assassino/
O tema da Mangueira em 2020 é "A verdade vos fará livres", portanto aprendamos a verdade sobre nossa fé para sermos livres do nefasto fundamentalismo que é anti-bíblico. Já estou apaixonado pelo desfile sem o mesmo nem ter acontecido ainda.

Revdo. Morôni Azevedo de Vasconcellos (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)
Clérigo e apaixonado pelo carnaval.

Carnaval: Festa Cristã.

on quarta-feira, 6 de março de 2019
Existe um famoso samba-enredo da G.R.E.S. União da Ilha do Governador chamado "Festa Profana" (1989 reeditado em 2005 pela G.R.E.S. Unidos do Porto da Pedra), que associa o carnaval com antigas festividades, em especial pagãs. Nada nesse mundo tem apenas uma origem, sem estar em birra com esse clássico samba que ainda anima as festas pelo Brasil inteiro e leva muitos a "tomar um porre de felicidade", que tal mostrar um outro lado do carnaval? Eu poderia começar lembrando de Jesus elogiando a fé do centurião "pagão", que seria maior que a da ortodoxia de Israel (Mateus 8:5-13).

É importante lembrarmos que o carnaval, como conhecemos hoje, é marcado pelo calendário litúrgico cristão, o que faz com que cada ano ele caia em uma data diferente, pois ele depende do início da Quaresma (que se iniciou hoje com a quarta-feira de Cinzas). Sendo assim o carnaval marca o fim da quadra da Epifania (quadra festiva em que se comemora a manifestação de Deus, em Cristo, no mundo) e antecede a penitencial Quaresma. Recentemente li um fundamentalista associando o carnaval com os cultos afro-brasileiros, sendo que apesar da presença forte deles nos carnavais (até pelos terreiros e pelas escolas de samba tradicionalmente acolherem os excluídos que Cristo não excluiria, mas as igrejas muitas vezes sim).

É interessante que, liturgicamente, as festividades do carnaval e o seu "porre de felicidade" ocorram durante a Epifania, talvez para nos lembrar da manifestação do Cristo que é chamado de beberrão e comilão, que festeja com seus amigos que são pecadores e prostitutas (Mateus 11:16-19, Lucas 7:31-50, etc).

Famosa citação de Dom Hélder Câmara (foto da internet)
Em 2019 eu desfilei pela G.R.E.S Renascer de Jacarepaguá, e muitos me perguntaram sobre um cristão pular o carnaval e especialmente por eu ter saído em uma escola que falava sobre a festa de Iemanjá na Bahia (Dois de Fevereiro no Rio Vermelho) e a minha ala usava a fantasia do Orixá Oxossi. Primeiro que o desfile das escolas de samba é um grande teatro ao ar livre, portanto ali estão retratados elementos da cultura popular e os que ali desfilam estão como que atuando em um peça, portanto qualquer que fosse a fantasia ou tema encenado era irrelevante para a crença de quem desfila (até por só ser possível se fantasiar ou interpretar o personagem que não se é, um evangélico vestido de padre está fantasiado no carnaval, um ator vestido de padre está atuando, um padre vestido de padre é apenas ele mesmo).
Oxossi - Ala 7 da Renascer de Jacarepaguá (2019)
Outro ponto é que eu tenho uma ótima relação com pessoas de todas as religiões e defendo o diálogo inter-religioso, mesmo quando não é a minha crença, eu respeito e convivo bem com todos e creio que isso é fundamental para a cultura de paz e para a nossa sociedade. Até pelo simples motivo de que, como cristão, não creio que a salvação de alguém dependa de algo que nós façamos ou deixemos de fazer e isso inclui a adesão ou não a uma confissão mais ou menos ortodoxa. Não é denominação e nem a doutrina que salva, antes é a graça de Deus que atua através da fé (que não é algo humano e nem se confunde com a adesão a determinada crença).

Mas, infelizmente, o carnaval de 2019 teve várias cenas de intolerância por parte de grupos fundamentalistas conta a escola de samba de São Paulo, a Gaviões da Fiel. A polêmica começou quando em uma encenação supostamente Jesus seria vencido pelo diabo. Sendo que na realidade o Jesus/Santo Antão ali representado, até sofre nas mãos do diabo, mas não é vencido (o Bem vence o mal no fim da encenação). Se algum cristão tem dúvidas da profunda verdade teológica dessa encenação, então precisa rever a história da Quaresma e da Paixão de Cristo, bem como tudo o que Santo Antão sofreu em seus combates contra o diabo. Os fundamentalistas contaminados pela Teologia da Prosperidade esqueceram da cruz de Cristo e pregam eles sim doutrinas que estão mais próximas do inimigo do que de Cristo como a sã teologia demonstra (I Coríntios 1:22-25).

Parte final da encenação da Gaviões da Fiel. Fonte: Veja
Esquecendo um pouco os fanáticos fundamentalistas, que não merecem nem receber algum espaço neste blog, inclusive tendo alguns espalhado a notícia falsa de que alguém envolvido na coreografia teria morrido por castigo divino (lembrando que o Diabo é o pai da mentira e que ele é que guarda ódio dos outros e tenta se vingar, não Deus), o ano de 2019 teve alguns temas cristãos bem fortes e presentes nos desfiles das escolas de samba, especialmente na G.R.E.S Unidos da Tijuca (7ª colocada no Grupo Especial em 2019) e na G.R.E.S. Estácio de Sá (campeã do Grupo A em 2019):




É bem verdade que a Estácio faz uma menção a Obatalá (Oxalá) que é sincretizado na Umbanda com Jesus, mas além de ser bela essa menção de como Jesus é lembrado em outras religiões (ao seu modo), também é bela essa convivência harmônica entre as diversas crenças que o carnaval proporciona (e que deveria ser comum no cotidiano). Aliás, tal mistura harmoniosa não é nova e já foi feita por Gilberto Gil na música "Oração pela libertação da África do Sul"

Que Deus permita a maior presença cristã no carnaval (e não estou falando do "carnaval gospel"), a maior tolerância e respeito entre as diversas religiões e que os cristãos sejam mais o reflexo do Cristo que andava com excluídos e pecadores, andava nas festas e menos o reflexo dos mal-humorados fariseus. Em nome de Jesus. Amém.

Cuidado para a solução não ser pior que o problema: os discursos políticos atuais e o caso de I Samuel 8.

on sábado, 9 de junho de 2018
"O povo pede um rei
1 Quando Samuel ficou velho, pôs os seus filhos como juízes de Israel. 2 O seu filho mais velho se chamava Joel, e o mais novo, Abias. Eles eram juízes na cidade de Berseba. 3 Porém não seguiram o exemplo do pai. Estavam interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça.

4 Então todos os líderes de Israel se reuniram e foram falar com Samuel, em Ramá. 5 Eles disseram:

— Olhe! Você já está ficando velho, e os seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, queremos que nos arranje um rei para nos governar, como acontece em outros países.

6 Samuel não gostou do pedido deles. Então orou a Deus, o SENHOR, 7 e ele respondeu assim:

— Atenda o pedido do povo. Não é só você que eles rejeitaram; eles rejeitaram a mim como Rei. 8 Desde que eu os trouxe do Egito, eles sempre me têm abandonado e têm adorado outros deuses. Agora estão fazendo com você o que sempre fizeram comigo. 9 Portanto, atenda o pedido deles. Mas avise essa gente, explicando com toda a clareza como o rei vai tratá-los.

10 Então Samuel explicou ao povo tudo o que o SENHOR lhe tinha dito. 11 Ele disse:

— O rei os tratará assim: tomará os filhos de vocês para serem soldados; porá alguns para servirem nos seus carros de guerra, outros na cavalaria e outros para correrem adiante dos carros. 12 Colocará alguns deles como oficiais encarregados de mil soldados, e outros encarregados de cinquenta. Os seus filhos terão de cultivar as terras dele, fazer as suas colheitas e fabricar as suas armas e equipamentos para os seus carros de guerra. 13 As filhas de vocês terão de preparar os perfumes do rei e trabalhar como suas cozinheiras e padeiras. 14 Ele tomará de vocês os melhores campos, plantações de uvas, bosques de oliveiras e dará tudo aos seus funcionários. 15 Ficará com a décima parte dos cereais e das uvas, para dar aos funcionários da corte e aos outros funcionários. 16 Tomará também os empregados de vocês, o melhor gado e os melhores jumentos, para trabalharem para ele. 17 E ficará com a décima parte dos rebanhos de vocês. E vocês serão seus escravos. 18 Quando isso acontecer, vocês chorarão amargamente por causa do rei que escolheram, porém o SENHOR Deus não ouvirá as suas queixas.

19 Mas o povo não se importou com o aviso de Samuel. Pelo contrário, eles disseram:

— Não adianta. Nós queremos um rei. 20 Queremos ser como as outras nações: queremos ter um rei para nos governar, para nos dirigir na guerra e lutar em nossas batalhas.

21 Samuel ouviu o que eles disseram e então foi e contou tudo a Deus, o SENHOR. 22 Ele respondeu:

— Faça o que eles querem. Dê a eles um rei.


Aí Samuel pediu a todos os homens de Israel que voltassem para casa."



Em um dos textos bíblicos que o Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil reserva para este domingo (Próprio 5), lemos a passagem em que o profeta Samuel, que foi o último líder "democrático" do antigo povo de Israel (coloquei entre aspas para entendermos que seria anacronismo comparar com as democracias modernas, embora houvesse grande liberdade e sentimento de que todos eram iguais perante a Lei), é questionado pelo povo que desejava ter um rei. Vale lembrar que não estamos falando aí de um rei como os monarcas atuais das monarquias parlamentaristas e sim de monarcas absolutistas, ditadores em outras palavras. 

Até então, o povo de Israel vivia sem um Rei (só Deus era seu Rei), havia um sistema bem livre para a época com os anciões aconselhando e ajudando os juízes a resolverem eventuais conflitos dentro do povo. Era perfeito? Não mesmo, tanto que os filhos de Samuel ao se tornarem juízes se tornaram corruptos. Vendo tantos escândalos de corrupção, o povo começa a clamar por um rei, um líder forte e absoluto como o das outras nações (mesmo que o povo dessas outras nações fosse mais massacrado pelo seu líder do que os israelitas).

Samuel, o profeta, sabia que isso seria terrível e que o povo que havia sido libertado da tirania do Faraó no Egito estava agora querendo um novo Faraó. Sim, ao invés de reparar as falhas do sistema, o povo queria ser escravo de um novo líder forte a absoluto. Essas não são conclusões minhas, Deus fala com Samuel e manda ele avisar o povo sobre o que estavam pedindo. Entretanto, o povo preferiu o caminho errado. O resultado sabemos: Um rei louco e homicida (Saul) seguido por um rei que apesar de bom teve graves falhas (Davi) e até matou seu soldado mais leal para poder se deitar com a sua esposa, outro rei que era sábio mas no fim da vida se esqueceu de muito do sabia e começou cometer alguns erros que antes condenava (Salomão), daí em diante o reino se dividiu, irmão lutou contra irmão e em ambos os Reinos (Israel e Judá) houve uma sequência de governantes piores que os reis anteriores e mais corruptos que os filhos de Samuel. Tudo isso só acabou quando o povo foi dominado por outros povos, o que trouxe igualmente sofrimentos para esse povo.

Será que é coincidência quando vemos alguns gritarem pedindo ditaduras, torturas e outros métodos terríveis como sendo a solução para os problemas da democracia atual e de sua corrupção? Será que continuamos a não escutar a voz de Deus, recusando a Ele e aos seus profetas, para abraçarmos a tirania que nos fará mal (e fazemos isso apenas por outros países estarem na mesma onda)?

Que o alerta do texto bíblico possa nos livrar dessas tentações que só nos causarão mais e mais sofrimento.

Liberdade religiosa em risco e os malefícios tributários.

on domingo, 21 de junho de 2015
Existem pensamentos que se tornam comuns na sociedade, recheados de slogans irrefletidos e ideias que fingem ser progressistas, porém que quase sempre são verdadeiros "tiros no próprio pé". Um deles é a ideia equivocada de que instituições religiosas devem pagar impostos.

Veja, não estou dizendo que todos que defendem isso são pessoas mal intencionadas, mas garanto que são pessoas que muitas vezes apenas foram seduzidas pelo "canto da sereia" e não chegaram a refletir com mais cuidado sobre a situação. Vamos pensar um pouco:

A constituição federal garante a isenção de impostos para Instituições Religiosas (e não apenas igrejas), este é um grande avanço para garantir a liberdade religiosa e em especial dos grupos minoritários. Pensemos em um pequeno grupo budista com entre 6 e 10 membros, se os mesmos não tiverem muito dinheiro para arcar com impostos apenas por sua fé, então nunca poderão praticar sua religião de forma coletiva e menos ainda se organizar. A isenção de tributos, antes de entrar no mérito do papel da religião na sociedade, simplesmente serve para garantir o direito de você ter a religião que quiser. Veja, se eu e você agora quisermos formar uma religião qualquer (religião não necessariamente tem a ver com crença em Deus, existem religiões ateístas como a Religião da Humanidade que é mais conhecida como Igreja Positivista) nós temos a liberdade de poder fazer isso sem nos preocuparmos se teremos dinheiro o suficiente para arcar com os impostos ou não.

Então, como algumas pessoas pensam que uma conquista tão importante para uma sociedade realmente democrática e tolerante com as minorias seja algo ruim? Existem várias explicações possíveis:

- Algumas pessoas acham que isso é um "privilégio", mas esquecem que existem inúmeros outros casos de isenções tributárias e o objetivo das mesmas em geral é o de evitar que certa pessoa ou instituição vá falir em função dos impostos.

- Algumas pessoas simplesmente são contra ideais democráticos e pluralistas. Vale lembrar quantas pessoas não apoiaram o nazismo e outras barbáries no mundo.

- Algumas pessoas tem um ódio, mais ou menos disfarçado, contra as religiões e em especial contra as majoritárias e acabam tentando usar isso como uma forma de ataque gratuito.

- Algumas pessoas acham que estão libertando a sociedade dos "aproveitadores da fé", mas na realidade acabam é beneficiando os mesmos já que eles é que terão dinheiro para arcar com os tributos e ainda vão se livrar das instituições sérias que podem até quebrar com a falta de verba para seu sustento (muitas já estão quase quebrando sem ter os impostos).

Em resumo, as tentativas de tributar as religiões nada mais são do que tentativas de esmagar as religiões minoritárias, destruir a liberdade religiosa e fortalecer os oportunistas. Abusos contra a fé das pessoas devem ser resolvidos com conscientização e não punindo quem nada tem a ver com isso e deixando escapar quem pratica tais abusos e terá dinheiro para arcar com os impostos.

Sem falar que, em última instância, o dinheiro das instituições religiosas é de seus fiéis e tributar as mesmas é apenas decretar que religiosos devem pagar mais impostos que não-religiosos apenas por conta de suas convicções pessoais. Perseguição econômica contra religiosos também é uma forma de praticar a intolerância religiosa e ao longo da história tem sido usada para oprimir diversas minorias.

Por uma sociedade plural, onde todos sejam livres para crer ou não crer sem precisarem saber se terão dinheiro o suficiente para isso. Por uma sociedade livre, igualitária e fraterna!

Tocando na ferida - Escola, violência e legislação sem idealismos.

on domingo, 24 de maio de 2015
Existem alguns assuntos que eu evito debater na internet por alguns motivos:

1) Não há debate e sim exibicionismo de quem é o melhor (normalmente na base do grito e da ofensa e não da argumentação).

2)  Tudo já está muito polarizado... Ex.: Se você criticou o governo Dilma então deve ser um espião do PSDB, se criticar o FHC deve receber alguma bolsa da Dilma... Ou se é anarquista ou se é fascista...

3) As pessoas não querem estudar os temas e se contentam com frases feitas aprendidas em alguma cartilha.

Porém, tem horas que não dá mais e aí vale lembrar a velha frase de que "No inferno os lugares mais quentes estão destinados aos omissos" e seguir o que diz a Bíblia "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca." (Apocalipse 3:15-16).

Estava eu vendo os debates sobre a morte do ciclista esfaqueado no Rio de Janeiro e lembro de poucas vezes ter visto tanta bobagem junta. Boa parte disto por culpa de uma direita que oscila entre um liberalismo individualista (sendo que se o capital é social não seria possível essa ideia do "cada um por si" ignorando o resto da sociedade) e um militarismo fascistóide, mas também por culpa de uma esquerdinha pós-moderna de classe média cada vez menos ortodoxa e mais abraçadora de árvores e que se preocupa menos em estudar economia (que acham ser uma ciência burguesa... Pobres Marx e Proudhon) e mais em estudar livros de auto-ajuda para ficar dizendo "Amor Livre"/"Mais amor por favor"/"Ninguém é dono de ninguém" e outros delírios que poderiam ter se encerrado com o festival de Woodstock.


Capa do Extra do dia 22/05/2015
O que foi para mim o cúmulo, a ponto de me fez largar meus compromissos para escrever aqui, foi a manchete do Jornal Extra no dia de hoje (tão celebrada por uns e repudiada por outros). São tantas coisas grotescas que estão nessa matéria e nos argumentos sobre o caso que me fazem ter que falar em tópicos para facilitar o entendimento:

1) A escola desistiu de alguém? Não! A escola não desiste de ninguém pois é não tem que insistir em ninguém, a escola não é depósito e nem educadora moral, a escola serve para o desenvolvimento "intelectual" (não vou entrar aqui nas discussões sobre esta palavra e a usarei no seu sentido mais vulgar) como desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento do raciocínio lógico/argumentativo/retórico e matemático, desenvolvimento das aptidões científicas/filosóficas/artísticas de acordo com cada disciplina... O meu pensamento é conteudista? De certa forma sim (apesar de ter asco a ideia da simples memorização que ocorre na escola no lugar da assimilação do modo de fazer), mas é para isso que serve a escola (salvo as escolas religiosas e militares que teoricamente tem um compromisso DOUTRINÁRIO de formar a pessoa integralmente). A escola tem alguma participação na formação moral? Sem dúvidas que sim, da mesma forma que qualquer outro ambiente como o seu próprio emprego ou time de pelada também tem alguma participação, mas não é protagonista nisto que apenas a família (junto com a instituição religiosa ou militar de acordo com o caso) pode fazer. Quem trabalhou em escolas públicas problemáticas sabe muito bem que a escola nem deveria ser obrigatória, pois ao colocar o aluno que não quer nada (e ele tem o direito inalienável de não querer se formar e que é impossível impedir ele disso) com o aluno que quer o prejudicado será este último pois o professor que já fica sobrecarregado por lidar com muitos alunos simultaneamente acaba tendo que gastar toda a sua energia em conter os excessos do aluno que nada quer. A escola não desiste de ninguém pois ela não é reformatório, ela está lá para ensinar os que querem e não para tentar converter quem não quer. Podemos contribuir com a educação, mas não tomar a dianteira nisso (aliás isso é só mais uma tentativa de jogar a culpa nos professores que já vivem em seu limite).

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2) O criminoso é vítima da injustiça social? Não necessariamente ou não existiriam vários criminosos oriundos de famílias abastadas! A principal vítima dos criminosos é o TRABALHADOR que enfrenta uma jornada de trabalho exaustiva em conduções lotadas e sem o mínimo de salubridade para no final do mês receber o um salário que não paga nem as compras no mercado. Marx e outros grandes teóricos do campo de esquerda sempre foram claros em mostrar que sua luta é pelo PROLETARIADO, pela classe PRODUTIVA e criminosos não se incluem nela (antes são inimigos da mesma já que é o TRABALHADOR que é assaltado no BRT e é o TRABALHADOR que não tem acesso aos serviços públicos por conta da corrupção na classe política). Então, vamos parar com essa mania de inocentar o algoz... Eu trabalhei com crianças que não tinham o que comer e ao invés de estarem esfaqueando os outros na rua elas se sacrificavam estudando (já tive aluna desmaiando na escola pois não comia fazia tempo) e alguns desses conseguiram até entrar para escolas de referência (nessas horas ninguém fala mal do "conteudismo" né?)... Elas eram vítimas das estruturas injustas, não os que optaram em querer matar e roubar aquilo que outros conseguiram com suor (sim, pois essa esquerdinha de classe média não acha nada demais o risco de ser vítima na rua pois seu condomínio tem boa segurança e perder R$ 100,00 em um assalto não vai te deixar sem comer no fim do mês). Na República Popular da China, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, República Democrática Popular da Coréia ou até mesmo na social-democracia escandinava não se faz essa choradeira vitimizante com os criminosos, antes eles tem a certeza da punição (nas repúblicas marxistas até de forma bem mais dura).



3) Ser hippie é legal, mas já está ultrapassado. Hoje, a esquerda atual tem pavor das palavras: ordem, disciplina, punição, militarismo, polícia. Esse pânico não encontra respaldo nem nas teorias socialistas e nem nas práticas dos regimes, talvez só na choradeira revisionista de setores do PSOL. Não precisamos adotar o Juche, mas também não precisamos virar abraçadores de árvores.

Cartaz da Frente Popular durante a Guerra Civil Espanhola.
4) Mas e os mortos nas favelas? Obviamente que não podem ser esquecidos, mas também isso não pode ser desculpa para esquecer de alguém de outra origem que foi morto brutalmente... Todos devem ser lembrados! Se eu me revoltei com a impunidade de Thor Batista ao ter matado um ciclista, não posso achar bonita a impunidade do menor que matou outro (até por questão de coerência e humanismo).

5) Nem reduzir a maioridade penal atoa e nem deixar tudo como está onde um aluno estupra uma aluna ou quase mata um professor e no máximo será transferido de escola, isso se os pais não reclamarem da distância da nova escola e o MP obrigar ele a retornar a escola de origem junto da vítima... Duas propostas bem coerentes e que precisam ser discutidas são: A) Tornar o ECA mais rígido com o menor infrator. B) Reduzir a maioridade penal apenas para crimes hediondos.

6) A pena de morte e a prisão perpétuas são grandes erros, tanto pelos possíveis equívocos quanto por não trazer nada de bom pra sociedade (nem compensar os erros e nem reformar o indivíduo), sendo assim o trabalho (mesmo que forçado) deve ser a punição como forma de evitar o ócio, ensinar algo de útil ao detento e principalmente botar ele para trabalhar pela sociedade. Tal prática é muito usada nos Estados Unidos, na China e foi muito usada também na URSS.


7) Direitos Humanos são vitais sim para a sobrevivência da sociedade sem tirania, porém devemos pensar também (e principalmente) nos Direitos Humanos das vítimas e possíveis vítimas e não apenas do criminoso. A impunidade do criminoso vai levar ele a fazer novas vítimas (novas pessoas que não terão respeitados os seus direitos humanos).

7) O jornal Extra e sua linha editorial, condizente com a linha do O Globo, tenta culpabilizar a escola (mais especificamente os professores) e levar a fatos como esse: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,e-uma-crianca-diz-mae-de-acusado,1693020

Vale a pena ler:
http://www.osul.com.br/professor-que-teve-o-nariz-quebrado-por-aluno-vai-abandonar-a-profissao/

http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-08-30/brasil-e-lider-mundial-em-agressao-a-professores.html

http://professormoroni.blogspot.com.br/2013/09/jonas-os-professores-e-uma-outra-evasao.html

http://professormoroni.blogspot.com.br/2013/09/desabafo-conscientizador.html

Tugce e o martírio nosso de cada dia

on segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Sempre digo que a coisa que mais me enoja em uma pessoa é a omissão, prefiro inclusive tomar o partido errado do que não tomar partido “Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito” (Apocalipse 3:16), mas infelizmente as pessoas estão mais dispostas a se preservar covardemente do que assumir os riscos do martírio.

Não é atoa que supostamente segundo Dante "No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise". Não há salvação para um sociedade acovardada, ela própria já escolheu viver condenada.

Curioso é ver que nossa sociedade, que quando é conveniente alega ter algum valor baseado na tradição judaico-cristã, não conseguiu ainda aprender essa antiga lição:

"E vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos porque haviam sido fiéis no seu testemunho. Eles gritavam com voz bem forte: — Ó Todo-Poderoso, santo e verdadeiro! Quando julgarás e condenarás os que na terra nos mataram?" (Apocalipse 6:9-10)

In Memmoriam Tugce Albayrak (Fonte da imagem: Jornal Extra)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/morte-de-jovem-deixa-alemanha-a-debater-a-coragem-no-diaadia-1677962

O sangue dos mártires é o combustível das mudanças no mundo, nada neste mundo melhorou sem pessoas que se dispuseram a arriscar as próprias vidas em prol do que é certo!

O que seria do mundo sem Maximiliano Kolbe (frade franciscano que trocou de lugar com um prisioneiro de campo de concentração para salvar a vida do mesmo), Dietrich Bonhoeffer (o proeminente pastor e teólogo luterano que foi morto em um campo de concentração por participar da resistência contra os nazistas), rev. Martin Luther King Jr. (Que deu sua vida pelos direitos civis nos EUA), D. Oscar Romero (arcebispo que enfrentou a ditadura em El Salvador), Thomas Becket (arcebispo de cantuária que enfrentou a tirania do rei Henrique II), rev. Atilano Coco Martín e os membros das brigadas internacionais que lutaram contra o franquismo na Espanha, ...

Está na hora de resgatarmos a coragem cívica! Já passou da hora de transformarmos aquilo que acreditamos em ações práticas no cotidiano!

Lembremos das palavras de Martin Luther King Jr.: "Não me assusta o grito dos maus, mas o silêncio dos bons." "Não me assusta a violência de poucos, mas a omissão de muitos...".

Tugce Albayrak VIVE!

"Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor." D. Desmond Tutu (arcebispo anglicano da África do Sul)

Chuva de oportunismo

on terça-feira, 19 de agosto de 2014
Fiquei pasmo ao assistir a estreia do horário político, sinceramente nunca vi tanto oportunismo junto. Achei que as eleições de 2014 seriam tranquilas, mas pelo visto serão as com o nível mais baixo de todas.

A morte de Eduardo Campos causou uma grande reviravolta na política nacional, mas se o martírio de Eduardo Campos o elevou a uma condição de herói nacional e colocou sua sucessora (escolhida pelo próprio) Marina Silva como a principal política brasileira da atualidade...

O PSDB e o PT tentaram se passar por "herdeiros políticos" de Eduardo Campos, pedindo voto em nome dele (que foi oposição ao PSDB durante toda a sua vida e já havia rompido de forma contundente com o PT) sem autorização (enquanto nem o próprio partido dele estava fazendo campanha por ainda estar se recuperando do choque. Sinceramente, não sei se foi mais ridículo ou mais cruel tal artimanha.

Isso não é sem motivo, Marina Silva hoje é vista como a candidata favorita para levar as eleições por toda a sua história e por ela sim ser a ÚNICA herdeira política de Eduardo Campos (escolhida pelo próprio) nessas eleições. Não é atoa que começam a circular todo o tipo de boato e desinformação para tentar atacar ela, inclusive o site Brasil 247 chegou ao nível de manipulação (similar ao da Veja e Rede Globo) de pegar uma foto do Lula chorando e uma de Marina com um leve sorriso junto aos familiares de Eduardo Campos que contavam e relembravam histórias do líder socialista, bastando isso para que o Brasil 247 (2+4+7=13) tentasse inventar de forma cruel que o Lula seria a única pessoa triste com a morte de Campos. Oportunismo barato e falta de respeito total para com a família e entes queridos em um momento de dor...
O PT pior ainda tem tentado ficar usando a célebre frase de Eduardo Campos como se ela representasse o PT...

É o oportunismo mais baixo, que falta com respeito com o lado humano de uma tragédia, que deve ser repudiado de todas as formas. Infelizmente esse oportunismo só faz as pessoas desacreditarem mais do nosso sistema político.

Vale algumas ressalvas:

O PSB, como era de se esperar por uma questão de respeito, começou o programa partidário fazendo uma homenagem ao líder socialista Eduardo Campos. Aliás, por coerência nem os deputados exibiram seus programas.

O PV e o PSDC fizeram uma homenagem ao ex-governador Eduardo Campos, mas não ficaram tentando crescer em cima disso.
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Parem de tentar crescer em cima da tragédia alheia!
Não vamos desistir do Brasil!
Não vamos desistir de nossa humanidade!
Não vamos desistir de lutar contra o oportunismo barato!

Repensar a paternidade em defesa da igualdade parental

on domingo, 10 de agosto de 2014
Pode parecer estranho, mas hoje é o dia ideal para repensarmos a paternidade e o papel do Estado perante a mesma...

Faz tempo que vi uma tirinha feminista e hoje vejo novamente que compara o abandono paterno com o aborto e diz que o aborto do homem sempre foi permitido... Tenho que concordar com a tirinha, o abandono paterno sempre foi permitido e justamente por isso que temos que acabar com esse abandono.

Mas muitos podem perguntar como o Estado pode acabar com o abandono paterno? De fato é uma questão muito complexa, mas ele pode começar a educar as pessoas nesse sentido...

Falei em educar e não em apenas fazer umas propagandas em escolas sobre isso. Digo do Estado revalorizar a paternidade, sem querer criar um clima paternidade x maternidade. Hoje um pai abandona uma criança e sua mãe e o Estado pouco ou nada faz, por outro lado um pai dedicado raramente consegue a guarda de seu filho... Curiosamente nossa cultura e nossas leis apenas valorizam a maternidade e não a paternidade, até o dia dos pais é uma data meio apagada em relação ao dia das mães...

Devemos lutar pela igualdade parental, em direitos e deveres, o que será benéfico também para as mães hoje tão sobrecarregadas por uma jornada dupla ou tripla...

Bem, essa luta não é uma luta só no campo jurídico e sim cultural e como eu sempre digo é mais fácil fazer uma "revolução" tomando o poder na marra do que fazer a verdadeira revolução que é mudar o próprio ser humano...

Em defesa da igualdade paternal!
Em defesa da homoparentalidade!
Em defesa da paternidade RESPONSÁVEL!

Desejo um feliz dia dos pais, para todos os pais de verdade que sempre estiveram junto de seus filhos (como o meu), independente das suas próprias condições... Aliás, parabéns também para as mães (tios, avós, ...) que fazem o papel de pai.


O panda e o humano

on sexta-feira, 30 de maio de 2014
Tudo começou com uma brincadeira, mas consegui perceber o quanto é interessante comparar os seres humanos aos pandas...

Bem... Sempre pudemos ouvir a tese de que os humanos eram originariamente herbívoros e que posteriormente começaram a comer carne, mesmo contrariando sua natureza. Essa é a tese que nos foi passada por Friedrich Engels (Resumidamente: http://www.paginadowill.com/2013/09/sobre-o-papel-do-trabalho-na.html ; Versão completa: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_fontes/acer_marx/tme_09.pdf) e também é um dos argumentos mais fortes os vegetarianos ao apontar as diferenças entre nosso organismo e o dos animais naturalmente carnívoros/onívoros.

Tudo isso lhe parece estranho? Bem... Que tal se olharmos então um caso inverso... O PANDA!

O dócil Panda originalmente era carnívoro, mas por motivo ainda desconhecido (alguns falam em alterações genéticas, outros que o animal que eles comiam pode ter desaparecido e outros ainda alegam que simplesmente por facilidade) os pandas simplesmente acabaram virando "vegetarianos"... Sim, o panda tem um corpo de carnívoro, mas não consome carne...





O panda, único animal 100% socialista rsrsrsrs já que TODOS OS PANDAS DO MUNDO SÃO ESTATAIS E "PERTENCENTES" AO GOVERNO CHINÊS - por mais que a ideia de propriedade sobre um animal não seja bem aceita no meio da libertação animal - e para ter um panda fora da China é necessário pagar um aluguel alto ao governo, também virou símbolo de igualdade/tolerância nas redes sociais...



Enquanto os humanos estão divididos em tantos grupos, Os pandas conseguem representar metaforicamente vários grupos humanos harmoniosamente: é preto, branco, asiático, "VEGETARIANO", gordo, ...

Curiosamente, os pandas tem sido os melhores embaixadores da China levando paz e prosperidade para esse país:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130925_diplomacia_pandas_china_lgb.shtml

http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2013/12/b-diplomaciab-dos-pandas.html


Fonte: http://sfwriter.com/

Para variar o ser humano tem muito a aprender com os animais... Aliás, já daria um grande passo não sendo o principal responsável pela morte de tantos deles. O panda hoje vive ameaçado justamente por conta das ações humanas que tem feito a espécie diminuir mais do que a natureza consegue repor, aliás o primo do panda (Panda Vermelho) até hoje é caçado para arrancarem sua pele...



Existe amor ao dinheiro?

on segunda-feira, 12 de maio de 2014
Muitas vezes ouvimos falar sobre "amor ao dinheiro": "o amor ao dinheiro é a causa de todos os males (ou ao menos dos principais)", ... Mas será que já refletimos bem sobre o que poderia ser isso?

Mesmo a famosa fala de Jesus Cristo não usa "amar o dinheiro" e sim "servir ao dinheiro" como pecado, o que é inquestionável.
Primeiramente devo informar que não sei dizer se existe verdadeiramente o AMOR ao dinheiro, mas se existir creio que pensamos ele de forma muito equivocada, por mais estranho que possa parecer para um cristão socialista com certas inclinações franciscanas (São Franscisco e Santa Clara são meus padrinhos de batismo e eu já fui associado franciscano da Igreja Anglicana, mas isso é outra história).

Vamos lá...

O primeiro ponto é que pode haver uma disputa sobre se existe amor por coisas ou apenas por pessoas, como professor de geografia vou recorrer ao conceito de topofilia (afeto por um espaço em especial, amor por um lugar) para afirmar que isto é possível, assim sendo abrirei mão de outros exemplos para considerar esse ponto já sem necessidade de maiores debates.

O segundo ponto é entendermos o que é o amor... Alguém lembra do caso Eloá? Creio que ninguém será louco de considerar que o sentimento do ex-namorado pela menina fosse de fato AMOR:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/02/13/lindemberg-passou-a-perseguir-eloa-apos-o-fim-do-namoro-diz-amiga-da-vitima.htm

Se o sentimento de Lindemberg por Eloá seria classificado pela grande maioria das pessoas como um desejo egoísta de posse e não como amor, me parece muito pouco lógico dizer que se existe verdadeiramente algum "amor ao dinheiro" ele possa ser considerado como esse mesmo sentimento.

O VERDADEIRO amor ao dinheiro, não seria esse pseudo-amor egoísta de posse e acúmulo, na verdade o VERDADEIRO amor ao dinheiro (quem se sentir mais confortável pode falar em um amor ao dinheiro aceitável dentro da concepção cristã) seria aquele que quer o seu dinheiro melhor empregado para o bem-estar coletivo. Quem ama de fato uma propriedade da família? Aquele que quer deixar ela trancada para que ninguém use (ou até use mais não o tanto quanto poderia) ou aquele que faz daquela propriedade um ativo centro filantrópico e ou cultural?

Veja bem, essa concepção estava um pouco nos discursos de John Davidson Rockefeller (não estou entrando no mérito sobre sua vida ou se ele de fato cumpriu isso) e até o rev. John Wesley (http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/SERMAO_50.pdf) que viveu de forma muito modesta e piedosa.

Claro, não vamos confundir esse amor ao dinheiro (ou seria melhor falarmos em amor COM o dinheiro?) e o "amor ao dinheiro" vulgarmente falado ou mesmo o que aparece no versículo bíblico: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão." (I Timóteo 6:10-11).

Ou seja, quem quiser amar e ter dinheiro, ou quem valoriza de fato o dinheiro como materialização de seu trabalho (coisa tão difícil nessa atual sociedade onde quem de fato mais trabalha por ela não recebe quase nada e enquanto isso especuladores e corruptos que nada tem para acrescentar a sociedade vivem lucrando fartamente), vai querer que o máximo o possível do seu dinheiro sirva para o bem-estar geral (tanto através do Estado quanto através do voluntariado).

Encerro retornando ao ponto inicial que dizia que não afirmo a existência de tal amor, mas que se existir verdadeiramente um amor ao dinheiro legítimo será esse de querer que ele seja usado para o bem geral.

Ahh sim e antes que alguém fale em adorar dinheiro, de fato aí sim a coisa fica feia pois adorar vai muito além de amar (até por isso a restrição bíblica de adorar apenas a Deus)... Sim, quem adora ao dinheiro ou ama o dinheiro com um amor egoísta, nada mais é que um escravo/servo do dinheiro e aí todos os males podem ocorrer.

A democracia em perigo e o corrupto bancando honesto.

on sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Hoje fiquei realmente perplexo, apesar de já estar vendo sinais disso na sociedade faz um tempinho, quando recebi o convite para a "Marcha com deus pela liberdade" (isso, a mesma que deu origem ao tenebroso período de ditadura militar). É impressionante essa tendência suicida que quando finalmente temos a oportunidade de criticar o governo, de lutar por mudanças, de ver o judiciário condenando líderes do governo (algo que até mesmo os críticos do julgamento devem aceitar que seria impossível em uma ditadura), ... as pessoas querem acabar com tudo isso (sem perceberem que só podem fazer o que estão fazendo no face por estarem em uma democracia).

Vejo com muito lamento alguns religiosos (imitando os religiosos vendidos para o império opressor q eu Jesus tanto condenou) apoiando isso. Sobre isso como cristão só tenho 2 coisas a dizer: 1) Seja anátema quem usa o nome de Deus para essa blasfema marcha contra a liberdade. 2) Esse "deus" dessa marcha só pode ser o Diabo, pois é ele que vem pra roubar e destruir (coisa que a ditadura fez...).

Infelizmente, acreditando num falso patriotismo, esqueceram que a Ditadura Militar foi o período em que a corrupção predominava nos DETRANs ( Zangões, compras de carteiras, ...), foi o período de um dos maiores desperdícios de dinheiro do Brasil (a transamazônica), do serviço público por indicação e não por mérito (concurso), ...

Cabe ao governo não se acovardar como fez Jango, temos que cortar o mal pela raiz de imediato, não podemos aceitar NENHUM TIPO DE GOLPISMO OU DITADURA. Ainda mais com esse pretexto caduco retirado da Guerra Fria (que acabou já tem mais de 2 décadas) de "lutar contra o comunismo"... Militar que quer derrubar a ordem vigente já fere os próprios princípios do militarismo e se trata de apenas um criminoso, um bandido que ataca sua própria nação.



Vale lembrar que a luta contra a ditadura não é uma questão de esquerda x direita, temos uma direita democrática e uma esquerda democrática, não podemos aceitar é o golpismo e a ditadura de onde ela vier.

Vale a pena olhar as postagens e os links que seguem:

Olhem algumas postagens...








http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/corrupcao-e-a-ditadura-militar

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=2766

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-sombra-da-ditadura

A verdadeira revolução x os erros de princípios

on segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Creio que consegui falar um pouco desse tema no último post, ao explicar o que permite ao socialismo democrático ser por vezes até mais revolucionário que seus irmãos apregoadores da luta armada, no entanto desejo realmente falar um pouco mais sobre isso.

Obs.: Sugiro que ouçam a palestra do post anterior.

Uma sociedade fundada na competição entre seus membros será sempre autodestrutiva! Se em uma família houver competição entre seus membros, os membros mais fortes (os pais) ao invés de ampararem os membros mais fracos (bebês por exemplo) começarem a querer competir com os mais fraco, podem acreditar que em breve essa família estará reduzindo de tamanho. Não tardará a se transformar em ruínas a Igreja onde o clérigo quiser disputar quem vai ser mais espiritual com os fiéis, ao invés de auxiliar os mesmos em sua jornada (e deve ser por isso que Deus ao chamar São Francisco de Assis, em uma época de degeneração moral na Igreja, fala justamente: "Vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas"). Nem mesmo as empresas podem ter seus sócios competindo entre si por muito tempo.

A base da nossa atual é a barbárie, o apoio mútuo é solenemente ignorado e colocado em seu lugar o egocentrismo. Se ainda resta dúvidas sobre a tendência suicida de nossa sociedade, vale ler o que Thomas Malthus (um dos autores básicos para a economia, demografia e outras ciências que nos regem até hoje) em seu "Ensaio sobre o princípio da população" (conforme citação de Proudhon em seu Filosofia da Miséria): "... Um homem que nasce em um mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo, ou se a sociedade não tem precisão de seu trabalho, este homem eu digo, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: ele está em demasia sobre a terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza ordena-lhe que se vá e não tardará ela mesma a colocar tal ordem em execução..."

Não é de se estranhar que, apesar de reconhecermos avanços em muitas áreas, vemos um aparente retrocesso em outras. Ex.: Nos sentimos como a geração com menos tempo disponível da história, mesmo que nunca na história a tecnologia tenha nos feito economizar tempo em inúmeras tarefas. Nos desumanizamos, passamos tão apressados pela rua que nem percebemos uma pessoa caída na rua necessitando de auxílio (e eu digo que eu passei por essa chocante experiência de ver que na pressa entre compromissos, eu havia passado por uma mulher que estava no chão gritando por socorro e eu passando a menos de 2 metros da mesma não a vi e nem ouvi. Foi uma experiência terrível e admito que me senti acabado por isso.). "Como o confessava outrora diante do parlamento inglês um ilustre ministro e como nós em breve demonstraremos, na sociedade atual o progresso da miséria é paralelo e adequado ao progresso da riqueza, fato que anula completamente o mérito da economia política." (Proudhon em "Filosofia da Miséria")

Nós socialistas erramos em focar tanto a tomada de poder e esquecer a tomada dos corações e mentes (sem ser com o objetivo de ganhar apoio, mas para libertar as pessoas e permitir que elas voltem para a humanidade plena), erramos em esquecer a velha lição jacobina sobre a "República das Virtudes", erramos por não percebermos algo que é falado desde tempos remotos. Ex.: Essa nossa desumanização e o nosso opressor interno estão plenamente explicadas no simbolismo de Adão e Eva sobre a corrupção humana e o já nascermos pecadores e necessitarmos da santificação (romper com o paradigma falido e usado até hoje).

Tomar o poder sem revolucionar o próprio ser humano, será perda de tempo e cedo ou tarde veremos o retrocesso (como a história tem mostrado nas experiências revolucionárias). Não estou sendo idealista, mas o materialismo puro (que ignora o poder das idéias) é insustentável.

Uma música que acredito ter muito a ver com esse tema é a música "Where is the love?" do grupo Black Eyed Peas:

É por isso que afirmo, se não trabalharmos para transformar os corações de pedra em corações de carne, se não retirarmos a competição da base de nossa sociedade e substituirmos a mesma pelo apoio mútuo... Bom, nesse caso não haverá revolução, teoria política/econômica que se sustente. Entendem o que faz o descaso com a educação integral do cidadão não ser mera coincidência? Entendem o que faz com que sejamos empurrados cada dia mais para situações que facilitam nossa desumanização?

Obs. 1: Não acho que toda a competição é necessariamente ruim, os esportes nos mostram muito bem isso, mas é sempre ruim quando a competição é a base da sociedade.

Obs. 2: Esse tema evidentemente não acaba aqui...

Quem é que está defendendo bandidos?

on quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Se tornou um senso comum (estúpido como de praxe) a ideia de que Direitos Humanos é o "Direito dos Manos", é "defender bandido" e que "a esquerdalha quer impunidade"... Como eu sempre digo que rebater as coisas meramente no campo da ideologia é "bater palma para maluco dançar", vamos rebater no campo dos FATOS:

Segundo vários índices que podem facilmente ser verificados pelo leitor (GPI, IHR da UNODC, ...) sempre temos países da chamada "Tolerância Zero" como os Estados Unidos com péssimos índices (e incluiremos o Brasil nesse grupo pois, ao contrário do que é dito pelo senso comum, como poderemos ver em breve nossa legislação é muito punitiva),  enquanto países mais humanitários (ex.: países nórdicos) no tratamento dos presos são os que conseguiram baixar ao máximo as taxas de criminalidade e reincidência. (A Noruega tem prisões mais confortáveis que muitos hotéis brasileiros). Provas?
http://www.visionofhumanity.org/pdf/gpi/2013_Global_Peace_Index_Report.pdf

http://www.conjur.com.br/2012-jun-27/noruega-reabilitar-80-criminosos-prisoes

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/08/por-que-a-pena-maxima-de-prisao-na-noruega-e-de-21-anos.html

http://cbnewsplus.com/conheca-halden-uma-das-prisoes-da-noruega/42106/

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/conheca-as-melhores-prisoes-do-mundo

Então se o programa dos defensores dos Direitos Humanos não deixa os criminosos impunes e ainda consegue realmente resolver os problemas da Segurança Pública, quem é que defende bandidos? Os detratores dos Direitos Humanos!

Quem viola os Direitos humanos já seria criminoso só por isso, mas alguém com essa tendência via de regra acaba cometendo outros crimes também. Quer um exemplo? Os tão aplaudidos "justiceiros" do RJ que recentemente descobrimos que já tem ficha até por ESTUPRO:

http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/dois-justiceiros-suspeitos-de-amarrar-jovem-a-poste-sao-reconhecidos-no-rio,945e69d0b0624410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/02/justiceiros-que-amarraram-jovem-em-poste-tem-longa-ficha-criminal.html

Quando ouvir alguém falando mal dos Direitos Humanos, tome cuidado ele pode estar só esperando a oportunidade para te roubar, agredir, estuprar ou matar... (Afinal, quem é contra os direitos humanos é contra a vida, liberdade, é contra o respeito, é contra tudo aquilo que evita que a sociedade caia na barbárie e logo não se importa contigo.)

Alguns textos que recomendo:
http://www.profjuliososa.com.br/2014/02/a-hipocrita-seletividade-dos-justiceiros.html

http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/direitos-humanos/declaracoes-convencoes-a-tratatos-internacionais/23201-nao-somos-defensores-de-bandidos-dialogo-com-a-sociedade-para-esclarecer-os-equivocos-sobre-o-trabalho-dos-defensores-de-direitos-humanos

Parabéns aos irmãos em Cristo da PJ

A chantagem sentimental e desonestidade intelectual de nossos reacionários

on domingo, 9 de fevereiro de 2014
Após o caso dos justiceiros do RJ vimo do dia pra noite uma série de comentários reacionários, hipócritas e falaciosos sobre a ação.
"Criminoso tem mais é que apanhar"... Criminoso é quem comete crime (qualquer um deles), então se você tem CD pirata em casa, baixa filme da internet sem pagar, ... Você é um criminosos também! E sabe o que mais? Os justiceiros também! Eles agiram tão fora da lei quanto qualquer assaltante.

A Ku Klux Klan também fazia seus serviços de justiceiros...
"Queria ver se fosse com alguém da sua família"... Entendo em uma situação de estresse alguém perder o controle, porém isso não dá o direito de o Estado perder o controle e nem eu ou você sairmos de casa com armas na mão para matar quem acharmos que devemos... Lei e Ordem é algo FRIO e não cabeça quente...

 Olhe quantas bobeiras vemos em uma mesma postagem (em uma página facistóide que tem por aí) OBS.: O Nome "Amigos do PSB" está aparecendo pois eu cliquei no link desse grupo onde fui alertado sobre tal publicação e o Facebook ficou mantendo o nome, mas a publicação não tem nada a ver com o PSB (Partido que inclusive sou filiado, mas isso não vem ao caso).



A) Direitos dos "manos"... Curioso que a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ e N ativistas de solidarizaram com a família, salvo engano até o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) fez um discurso sobre...  Então a imagem é APENAS SENSO COMUM COM ACUSAÇÕES FALSAS.

B) Olhe o comentário do cidadão ao lado... Temos ali já 3 coisas bizarras. 1) O (H)aiti para ele fica na África... Sim, sou professor de Geografia e isso faz toda a diferença. 2) No mundo desse cidadão você compra uma casa ou carro sacando o dinheiro todo no Banco e saindo na rua serelepe. Claro, afinal pessoas pobres e trabalhadoras tem dinheiro pra comprar uma casa (em plena bolha imobiliária) à vista (e não existe limite de saques no banco). 3) "Ambulantes que vendem contrabando", taxar os vendedores de Chiclete dos trens de contrabandistas é um pouco forte, né?

Os mesmos valentões que saem por aí enfiando a porrada em qualquer ladrãozinho de boné importado, é frouxo na hora de enfrentar políticos corruptos... Se você não tem coragem de bater no Cabral e Paes, mas tem de bater em um pivete, você é apenas um hipócrita!



Esse daí é o modelo de "Bom Cidadão" dos PitBoys justiceiros... (Foto do Jornal da Ku Klux Klan)

Queremos ORDEM ou DESORDEM? "O problema dos justiceiros e das pequenas corrupções"

on quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Nos últimos dias estamos vendo muitos casos de "justiceiros", podemos destacar o caso do menor acusado de roubo no Flamengo e que foi agredido e preso no poste tal como se fazia com os escravos no passado, mas também não podemos esquecer do caso da execução realizada no bairro da Prata (Belford Roxo) em plena luz do dia.

A existência de crimes (inclusive os crimes de vingança) é algo extremamente antigo, o que me incomoda mais é que tais comportamentos tem sido extremamente APLAUDIDOS e ai de quem lembra que os justiceiros estão sendo tão criminosos quanto os que eles atacam: "Tá com pena? Leva pra casa!"

Interessante que as mesmas vozes que clamam pela barbárie contra qualquer peixe pequeno, depois passa a mão na cabeça de políticos corruptos ou de celebridades que cometem crimes (tipo o Justin Bieber), duvida? Compare as opiniões de Rachel Sherazade:





O que precisamos entender é que em nossa busca por ORDEM não devemos apelar para a DESORDEM, devemos lutar pela melhoria constante da legislação e sua fiel aplicação. Você não acha perigoso trocar o senso de justiça coletivo com base no Estado Democrático de Direito e no respeito aos direitos dos cidadãos por um senso de justiça extremamente privado? Se você ainda acha que é válido sair matando qualquer um pelo que eu achar certo, tenho que te dizer que algumas pessoas também tinham essa mesma visão de "justiceiro":
http://extra.globo.com/noticias/rio/relembre-caso-da-domestica-sirlei-agredida-por-cinco-rapazes-na-barra-730884.html

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,agressores-de-prostitutas-iniciam-servico-de-limpeza,81128,0.htm



Sabe o que todos esses tinham em comum? Todos queriam "limpar" a sua área e agiam com base no seu senso de "justiça" pessoal ignorando completamente a lei e a justiça coletiva. Se dependermos deles a sociedade vai caminhar cada vez mais para a barbárie e não para a ORDEM.

Sobre as declarações de Rachel Sherazade é interessante que até o sindicato de sua categoria ficou indignado com a mesma:
http://jornalistas.org.br/index.php/nota-de-repudio-do-sindicato-e-da-comissao-de-etica-contra-declaracoes-da-jornalista-rachel-sheherazade/

O pensamento dos "justiceiros"

Não é possível querer o cumprimento da lei se desrespeitamos as mesmas, não dá para querermos o fim da corrupção se cometemos pequenas corrupções (suborno, tentar se aproveitar de alguém ou algo, ...) diariamente, não dá para querermos algo se fazemos o oposto disso. E sim eu também como todo cidadão tenho medo da violência e quero a punição dos criminosos, porém DENTRO DOS RIGORES DA LEI.