A farra das panelas acadêmicas com o dinheiro público

on quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Existe um assunto que muitos ficam irritados mas quase ninguém tem coragem de denunciar pois ou se beneficia da situação ou tem receio de que vá ser prejudicado por isso. Sei que serei fortemente prejudicado em função de minhas críticas, porém como a carreira acadêmica não está dentro dos meus planos atuais já que eu acredito e gosto muito do magistério na educação básica, sou uma pessoa naturalmente pragmática e ainda tenho que me dedicar aos projetos sociais, igreja, política entre outras coisas que estão fora deste pequeno mundinho e permitem que eu possa bater de frente contra o que está aí sem maiores prejuízos.

Antes que alguém possa levantar argumentos banais do tipo: "ah mas está reclamando por não se beneficiar", "está reclamando por não ser competente", "está reclamando por isso ou aquilo". Deixo claro que eu até hoje só fiz uma única seleção para mestrado em universidade pública e mesmo assim para ver para ver com meus próprios olhos tudo o que eu já ouvi falar e analisei nos editais. Mas para evitar dúvidas sobre o que estou falando vou tentar documentar e fundamentar o máximo cada coisa e principalmente demonstrar outras críticas imparciais para mostrar que é algo que todos sabem mas poucos tem a coragem de dizer.

Vamos lá,

Em geral processos seletivos para mestrados e doutorados nas universidades públicas do Brasil são EXTREMAMENTE subjetivistas e nem um pouco objetivos (Já li alguns textos na internet de críticas a subjetividade também dos concursos para professores de universidades, mas como não pesquisei adequadamente esta área eu não irei entrar em detalhes). Por mais cara de "imparcial" que o processo tenha é tudo muito facilmente manipulável.

Vou tomar como exemplo o processo seletivo do Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que considero o mais falho de TODOS os que tive oportunidade de analisar os editais e também por eu ter feito o mesmo e visto de perto como funciona.

Tudo já começa de forma extremamente discriminatória por um dos requisitos para a INSCRIÇÃO NO PROCESSO SELETIVO ser uma carta de recomendação de um dos professores do Programa de Pós-Graduação (PPGEO). Ou seja, se eu não tiver nenhum professor que simpatize com minha inscrição nada pode ser feito e azar de quem é de outra cidade ou não tem conhecidos na UERJ.

Pode ser verificado no Edital:
http://www.ppgeo.igeog.uerj.br/downloads/selecao/seleaoeditalmet2014.pdf

Aí já vemos também o problema dos números de vagas oscilantes de acordo com a vontade de cada professor e motivações desconhecidas. Não há uma seleção como nos cursos de graduação com um número objetivamente definido e que serão preenchidos independente da vontade do professor querer ou não.

Quando o processo efetivamente começa já encontramos 2 problemas:

  • As provas que são extremamente manipuláveis pois são montadas pelos próprios professores da instituição o que permite que tranquilamente alguém possa saber previamente o que estará na prova. Para a lisura do processo seria necessário que uma organizadora de concursos de outro lugar fosse contratada para o processo seletivo. (Exemplo: CEPERJ, CESPE, ...) Aliás, curiosamente no Edital para a turma de 2014 vinha uma bibliografia geral e específica e não havia nada relacionado com a bibliografia geral como se poderia esperar e que no Edital constava até como um dos critérios de desempate.
  • A UERJ está trabalhando com leitura pública da prova, algo que é EXTREMAMENTE SUBJETIVA A ANÁLISE e que infelizmente pude ver pessoas que não foram lá tão bem assim neste quesito sendo aprovadas em detrimento de outras que foram muito melhores.

Avaliações subjetivas como entrevistas, análise de anteprojeto, provas de aula entre outros são extremamente nocivas para a lisura de qualquer processo seletivo para um órgão PÚBLICO.

Agora reflita: Quantos bolsistas não são aprovados nestes processos? Quantos que tentaram na cara e na coragem foram? Quantas vezes você já ouviu nos corredores de alguma universidade que o professor X ou Y iriam abrir um número de vagas que contemplasse seus pupilos? Quantas vezes vemos pessoas cursando mestrado e doutorado com pouco ou nenhum interesse e apenas o fazendo por serem "peixes" de alguém?

Para piorar tudo as práticas acadêmicas de panelismo total influencia na própria produção acadêmica que hoje é extremamente conservadora, repetitiva e gira em torno do marketing de alguns:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,darwin-e-a-pratica-da-salami-science-,1026037,0.htm

Infelizmente, quem paga tudo isso é o povão sofrido que talvez nunca nem entre nas elitizadas universidade públicas e que é quase certo que não terá a mínima chance de entrar num processo desses. Precisamos de uma legislação que proíba tais tipo de abuso e que torne os processos seletivos rigorosamente objetivos e democráticos como hoje ocorre em boa parte dos concursos para o serviço público.

O MEIO ACADÊMICO NÃO É IMPARCIAL! NÃO É DE SE ESTRANHAR QUE CERTAS LINHAS DE PENSAMENTO SE PERPETUEM AD AETERNUM.


O meio acadêmico é um forte reprodutor das piores práticas do meio político.

4 comentários:

thaina santos disse...

Muito bom o seu texto Morôni. Exatamente isso que acontece. Acabei de receber uma msg de um professor meu, que não me ajuda em nada, senão já teria minha vaga. Disse que só vou conseguir quando assistir aulas como ouvinte e ficar em uma fila de espera pela vaga. Fazer igual estou fazendo, indo na cara e na coragem, sem conhecer ninguém, sem ser das Universidades, não vai rolar. Uma pena ser assim, o que prova que a leitura dos livros e a capacidade das pessoas de fora não são suficientes para ser aprovado em um "concurso" desse ... E os anos vão se passando e nada ... Agora, só ano que vem ...

DIDÁTICA -CN2001 - IECP-2009 disse...

é verdade lastimável, mas isso acontece mesmos nas nossas universidades públicas: só entra no mestrado quem tem QI, ou seja, quem indica :(

Tatiana disse...

De fato isso acontece. A universidade é pública, mas, em alguns programas de pós-graduação, ocorre um monopólio de vagas, e o que é pior: um monopólio de conhecimentos.

Morôni Azevedo de Vasconcellos disse...

Tatiana,
É um verdadeiro monopólio de oportunidades de vida (muitas vezes)

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