Defensores do liberalismo admitem que a democracia é incompatível com o mercado absoluto.

on sexta-feira, 4 de abril de 2014
Umas das grandes mentiras que costumamos ouvir é que o socialismo combate a democracia (e aí se utilizam alguns exemplos fracassados de socialismo, ignorando onde o socialismo democrático deu certo) e que o capitalismo (na forma mais liberal o possível) seria o perfeito defensor da democracia.

Ao menos o Instituto Mises Brasil (Uma das principais organizações liberais/libertarianas do Brasil) admitiu inúmeras vezes que não a democracia tende ao socialismo e que é incompatível com o livre mercado... Não acredita? Veja:


http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1571

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1345

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=373

Está com preguiça de ler? Quer ler mais? Selecionei pontos interessantes de outros textos:
"A propriedade privada é tão incompatível com a democracia quanto o é com qualquer outra forma de domínio político.  Ao invés de democracia, tanto a justiça quanto a eficiência econômica requerem uma sociedade pura e irrestritamente baseada na propriedade privada."

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=398

Sempre afirmei aos amigos liberais que o mal do liberalismo extremado é que ele dependeria de uma bondade natural do ser humano (para não se tornar pura opressão), ao contrário do que muitos pensam de que isso seria necessário no socialismo:
"Se alguém diferente de você se muda para a sua vizinhança, você fará o seu melhor para lidar bem com ele.  Seja na igreja, no shopping, na academia ou até mesmo casualmente nas ruas, nós sempre nos esforçamos para encontrar maneiras de sermos civis e prestativos."
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287


O interessante que eles mesmos admitem que a liberdade sem as condições materiais mínimas é inútil, ou seja é necessário que o Estado se faça presente para garantir que o pobre/miserável tenha acesso a essas condições básicas e também que possa melhorar de vida:"Os liberais do passado também enfatizaram que a liberdade nunca estará garantida caso as pessoas não tenham os meios para viver suas vidas independentemente da — e algumas vezes em oposição à — autoridade política.  Essa é uma das razões por que eles consideravam o direito à propriedade privada algo essencial e crucial."
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=325

Tem outra passagem muito legal, vale lembrar que a "monarquia" que está sendo citada é a monarquia absolutista e não a monarquia parlamentarista (que convive muito bem com o socialismo democrático na Europa):

"existe uma concordância quase universal de que a democracia representa um avanço em relação à monarquia e é a causa do progresso econômico e moral. Essa interpretação é curiosa se observarmos que a democracia, no século XX, tem sido a fonte de todas as formas de socialismo: o socialismo democrático (europeu), o neoconservadorismo e o "esquerdismo chique" (americano), o socialismo internacional (soviético)"

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=139

Mas o socialismo não exige que se controle tudo? Não! Quer um exemplo?Os países nórdicos são famosos pelo seu modelo socialdemocrata que garante grande qualidade de vida para a população e liberdade. Curiosamente o Estado de Bem-Estar Social dos países nórdicos é muito atacado pelos liberais justamente por alegarem que atrapalha a liberdade, entretanto eles mesmos admitem que até em termos econômicos há mais liberdade nesses países do que em países supostamente mais "capitalistas/liberais" (Basta consultar os índices de "liberdade econômica" em: http://www.heritage.org/index/ranking ).

Se os Estados com tendência para o socialismo democrático/socialdemocracia são os que naturalmente garantem a democracia, garantem uma certa "liberdade" até para o mercado (curiosamente essa é a grande contradição das críticas dos liberais a esse sistema: O consideram muito livre e ao mesmo tempo não muito livre. O que nos leva a pensar que o erro esteja na concepção deles de que liberdade econômica seja o deixar acontecer qualquer porcaria), então qual o motivo que faz alguém criticar esse modelo para preferir um que assumidamente não trás democracia e nem bem-estar social? Apenas picuinha ideológica...



Em outras palavras, os próprios liberais mais exaltados admitem que só é possível a verdadeira democracia quando ela caminha para o socialismo democrático e por motivos simples:
- A democracia só é real quando todos tem realmente oportunidade de participar dela, não adianta ter uma Ferrari e não saber dirigir, então o "cada um por si" é extremamente anti-democrático. (Aliás nossas leis são bem claras nisso: a solidariedade é um DEVER democrático, vide o crime conhecido como "omissão de socorro".)

- A democracia não pode admitir que a maioria que pouco ou nada possui, tenha de viver de joelhos perante os poucos que possuem quase tudo.


Se ainda não ficou convencido:


http://desova.wordpress.com/2014/03/12/democracia-e-a-melhor-ferramenta-que-temos-contra-os-excessos-capitalistas-entrevista-com-jon-gnarr-o-prefeito-punk-de-reykjavik/

6 comentários:

Thiago Wasserman disse...

Os países escandinavos apesar de terem muitos impostos que são justificados pelos serviços públicos de qualidade, tiveram que por outro lado correr pela via liberal ao privatizar várias empresas e deixar toda a parte de tecnologia por exemplo nas mãos das empresas privadas, além disso temos que considerar que alguns deles tem abundância de recursos naturais estratégicos e em todos eles a população é pequena, oque torna muito mais fácil que as famílias tenham uma renda maior. É matemática simples.
Temos como exemplo na América Latina o Uruguai, um país de pouco mais de 3 milhões de habitantes, que apesar de não ser o grande ícone do liberalismo econômico é bem mais liberal que o Brasil e com esta política e com uma população dessas, não é nada difícil que as famílias tenham uma renda consideravelmente alta, na verdade é muito fácil!

Morôni Azevedo de Vasconcellos disse...

Thiago,
Vamos lá...
Não ter algumas empresas não torna um país liberal, afinal rs a cartilha liberal não é compatível com muitos serviços públicos e de tanta qualidade como os desses países...

Privatizaram algumas empresas? Sim e não... Muitas se tornaram empresas mistas como a Petrobrás e o Banco do Brasil e que estão mais nas mãos do governo do que qualquer coisa...

Sobre tecnologia, não é um setor que necessariamente o governo deve estar envolvido... Sendo assim não é de estranhar essa privatização, assim como muita gente na esquerda defendeu as privatizações da área de telefonia aqui no Brasil...

Thiago Wasserman disse...

Mas é preciso ver quais serviços públicos você está falando, a questão da segurança por exemplo, eu não tiraria das mãos do governo, pois não vejo o esquema de segurança de um país, estado ou município funcionando através de um sistema meritocrático e de busca ao lucro.

Porém a questão que estamos debatendo aqui é sobre um país ser melhor com mais intervenção do Estado ou menos. Meu ponto é que o Estado não deve ser extinguido, óbvio que não, porém, em relação a economia o estado não vai gerir empresas melhores e nem vai fazer a economia girar melhor intervindo com leis, burocracias e o simples ato de querer gerir qualquer empresa. A participação do Estado em um país deveria ser resumida a fiscalização dos contratos, do cumprimento das leis em todas as instâncias e a parte de segurança e algumas outras coisas, como educação fundamental e saúde (ainda estou refletindo sobre a participação do estado nessas duas últimas).

A Suécia é um país com boa liberdade econômica nos parâmetros globais muito a frente do Brasil inclusive. Agora, seja qual for o país de que estivermos debatendo, independente dos parâmetros globais, quanto maior a liberdade econômica maior o desenvolvimento e crescimento da renda per capita. Isso já está claro. A Suécia ou mesmo a Noruega são países excelentes, mas seriam ainda melhores se fossem mais liberais...

Thiago Wasserman disse...

No caso da Suécia, a pobreza só foi reduzida drasticamente com o processo de abertura do mercado entre o meio e o final do século XIX, sendo a liberdade econômica um processo chave para o enriquecimento do país. Antes disso a Suécia era um país pobre. A Suécia, como Noruega, Finlândia, Islândia entre outros, fizeram e inclusive protagonizaram vários acordos comerciais com países da Europa, isso é pró-livre mercado.

Não digo que os países escandinavos são ruins, pelo contrário, reconheço que vive-se bem lá, porém acho que seriam ainda melhores se a economia fosse mais livre lá, inclusive só acredito que esse esquema de alta carga tributária e assistencialismo só não tem dado problemas por lá, porque a população desses países são minúsculas, já os EUA, como indicam os índices, faz o mesmo com muito mais gente.

Daniel disse...

Democracia é a ditadura da maioria, ou seja, sou obrigado a seguir o pesamento dos outros. Por mim o estado só serve para garantir contratos, o resto deve ser privado. Você mesmo já escreveu sobre a porcaria que são as escolas e o sistema de saúde público. E não adianta elogiar os sistemas públicos europeus, pois são bons devido a sugarem 40 a 50% da renda dos habitantes mais produtivos do mundo, ou seja, os serviços são bons devido ao governo ter acesso a uma quantidade absurda de dinheiro, da mesma forma que um caminhão tem uma autonomia de 2000km por que tem um tanque de 700 litros e não por que é eficiente.

Marc Lewisten disse...

Achei um pouco tendencioso esse título, o que o texto dá a entender são os problemas que a democracia propõe, como centralização de poderes etc.

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